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Dosando Vodka em seu Aquário

Talvez a única contribuição russa para o aquarismo marinho, a vodka é usada como fonte de carbono para promover a filtragem através de fixação de nutrientes por bactérias. Mas em tudo há uma técnica. Veja uma das opções.

Resumo do artigo da Reefkeeping Magazine “Vodka Dosing – Distilled!” Por Nathaniel Walton e Matt Bjornson http://reefkeeping.com/issues/2008-08/nftt/

Dosar alguma fonte de carbono orgânico tem como objetivo a redução dos níveis de nitrato e fosfato.

Em um aquário marinho de recife, o carbono é encontrado em abundância em sua forma inorgânica, o bicarbonato. A forma orgânica e dissolvida, dentro de cadeias mais complexas, é menos comum, e por isso essa “deficiência” atua como um limitante, um freio para o crescimento de populações de bactérias.

Adicionando qualquer fonte de carbono (vinagre, açúcar ou vodka), bactérias que naturalmente habitam o aquário são estimuladas, se reproduzindo de forma ainda mais veloz, aumentando a “biomassa bacteriana”. Entretanto, para a formação da biomassa bacteriana é necessário, além do carbono, nitrogênio e fósforo, dois dos elementos que, em excesso, dificultam a manutenção de um aquário marinho de corais.

Ao se multiplicar, as bactérias irão absorver (fixar) nitrogênio e fósforo na forma de nitrato (NO3) e ortofosfato (PO4).

O último passo desse método é a retirada (exportação) da biomassa bacteriana estimulada pelo carbono orgânico.

Quem faz esse trabalho é o skimmer, que retira as bactérias da coluna d’água, levando consigo o carbono adicionado, e o nitrato e fosfato fixados.

Por que vodka?

O etanol é um cadeia de carbono orgânica, que encontra-se dissolvida em água, sendo perfeita para o uso em aquários.

Vodka pura (sem sabores, etc) é quase exclusivamente composta por água e álcool (etanol), muito mais “pura” quando comparada a outros destilados.

O skimmer

O uso do skimmer é um capítulo importante na dosagem de vodka.

Ele é fundamental. Não se dosa vodka sem skimmer.

Recomenda-se o uso de um skimmer potente e de qualidade para se usar o método, já que ele será mais exigido do que se estivesse em um aquário normal.

Além de exportar a biomassa bacteriana, ele terá a função de oxigenar a água, já que o aumento da população bacteriana provocará um aumento no consumo e demanda por oxigênio.

Alguns aquaristas recomendam que, embora não seja necessário, o uso do ozônio pode auxiliar na oxigenação da água.

Como dosar vodka

Essa é uma sugestão de dosagem, levando em conta uma vodka com 40% de álcool por volume (40 graus de álcool).

1. Teste o nitrato e o fosfato do seu aquário.

Nunca dose nada sem saber disso.

É recomendado o uso de testes de qualidade com sensibilidade a níveis baixos de nutrientes. Isso será importante mais tarde para determinar a dose de manutenção.

Durante a dosagem inicial, a frequência nos testes e os ajustes das doses irão variar de aquário para aquário.

A precisão na dosagem é de extrema importância: um instrumento graduado, como uma seringa, será muito útil.

Também é recomendado um caderno de anotações para doses e resultado de testes.

2. Estime o volume de água do seu sistema (aquário, sump e outros), líquido: desconte rochas, substrato e equipamentos.

Pode ser difícil medir precisamente o volume líquido. Se você não conseguir calcular o volume das rochas, é recomendado diminuir 30% do volume bruto do sistema. Não há problema nenhum subestimar o volume líquido de água. Ou seja, arredonde para baixo.

A partir de agora, como forma de exemplo, vamos nos basear em um aquário com volume líquido de 250L.

3. A dose inicial é 0,1mL de vodka para cada 100L de água, diariamente, por três dias.

É sugerido dividir a dosagem diária em dois e administrá-la duas vezes ao dia.
Para um sistema de 250L, a dosagem será de 0,25mL de vodka diariamente durante esse período, sendo 0,13mL manhã e 0,12mL a noite.

4. Nos dias de 4 a 7, dobre a dosagem diária para 0,2mL para cada 100L.

No caso do aquário exemplo, a dosagem diária será de de 0,5mL.

5. Para cada semana seguinte, adicione 0,5mL de vodka, independente do volume do aquário, até notar que os nutrientes começam a diminuir.

Para o aquário exemplo, na segunda semana iremos passar a dosar diariamente 1mL de vodka. Se não notarmos redução nos níveis de nutrientes durante essa semana, na semana seguinte adicionaremos mais 0,5mL, totalizando 1,5mL diários.

6. Quando os níveis de nitrato e fosfato começarem a cair, mantenha a dose.

Para o aquário-exemplo, se você está na semana 2 quando o nitrato começar a cair, você pode manter os 1mL de vodka continuamente até o nitrato ficar indetectável.

7. Quando o nitrato e o fosfato diminuir perto dos níveis indetectáveis do seu teste, diminua a dosa pela metade.

Aqui é que é importante ter um teste de boa qualidade. Essa nova dose será a dose inicial de manutenção.
No nosso aquário-exemplo, se os níveis se tornaram indetectáveis na semana 4, chegaremos à dosagem inicial de manutenção de 0,5mL diários.

8. Continue testando nitrato e fosfato.

Se os níveis passarem a ser detectáveis, aumente semanalmente a dosagem de manutenção em 0,1mL de vodka, independente do volume do aquário, até que os níveis começarem a diminuir novamente. Então, mantenha a dose. Se os níveis voltarem a ser indetectáveis, essa será sua nova dose de manutenção.

Durante a dosagem, observe os animais diariamente procurando por qualquer sinal de estresse. Se estresse ou qualquer mudança for notada, pare de dosar ou, no mínimo, reduza a dose pela metade.
Se por qualquer razão você não lembrar quanto dosou naquele dia, pule. É muito melhor acidentalmente esquecer de dosar do que dosar o dobro (nunca faça isso).

Algumas questões

Afloramento de bactérias:

O aquarista pode notar o aparecimento de um biofilme de bactérias nas rochas, substrato ou sump. Isso não representa nenhum perigo para o seu aquário, e reduzindo a dosagem em 50% normalmente provoca o seu desaparecimento. Se o aquarista exagerar na dose de vodka, pode experimentar um “boom” de bactérias, com água esbranquiçada e aparência de uma tempestade de neve. Essa condição é resolvida rapidamente pelo skimmer, mas pode gerar consequências variáveis para os animais. Mantenha a dose sugerida, e isso dificilmente acontecerá.

Diversidade Bacteriana:

Alguns aquaristas sugerem que dosar apenas uma fonte de carbono resulta no estímulo de um grupo específico de bactérias, a teoria da “monocultura”. Embora isso não seja comprovado, alguns aquaristas dosam, juntamente com a vodka, produtos que contenham cepas bacterianas vendidas para aquarismo.

Perda de tecido:

Alguns aquaristas relatam perda de tecido nas pontas dos seus SPS. Essa perda tem se recuperado quando o aquarista diminui a alcalinidade para níveis mais próximos à água natural (7-8 dKH).

Cores dos corais e palidez:

Com a redução do nutrientes, são observados um aumento na coloração dos SPS, mas em alguns casos uma palidez ao longo do tempo. Dosagem de aminoácidos pode resolver isso, mas você deve procurar mais material sobre nutrição de SPS em ambientes com baixíssimos níveis de nutrientes (ULNS). Se por qualquer razão você observar branqueamento dos seus corais, pare de dosar.

Substrato:

Algumas pessoas que usam substrato tem notado incapacidade de reduzir os níveis de nutrientes mesmo com doses cada vez mais altas de vodka. Isso pode estar acontecendo pela presença de matéria orgânica em demasia no substrato. Se esse for o caso, um sifonamento deve ser feito. Siga, com calma, o método sugerido, e não use doses irracionais.

Removedores de fosfato:

Pode ser contraproducente usar removedores de fosfato enquanto se usa vodka, já que bactérias só retiram o nitrato se houver fosfato disponível.

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