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Nutrientes altos, corais sofrendo?

Série Desmascarando Mitos:

Corais não crescem, e normalmente morrem, quando os níveis de nitrato e fosfato estão altos”

O maior dos desafios do aquarismo de corais é o controle de nutrientes. Além de provocar o aparecimento de algas, eles causam algum prejuízo aos corais?

Nesse artigo, da série “Desmascarando Mitos”, Tim Wijgerde, & Arjen Tilstra discutem se isso pode ser considerado verdadeiro.

Por Tim Wijgerde & Arjen Tilstra – Artigo publicado originalmente na Advanced Aquarist em Fevereirio de 2014, traduzido, com autorização dos autores e da Advanced Aquarist, por Ledo Daruy Filho e Walmyr Buzatto

 

Níveis de nutrientes em um aquário são um tópico de muito interesse e discussão, com opiniões divergentes. Três razões pelas quais aquaristas podem votar contra manter altos níveis de nutrientes em um aquário são (1) corais se tornando marrons, (2) crescimento elevado de algas indesejáveis, e (3) a noção que níveis de nutrientes em recifes naturais são muito baixos. Quando avaliamos o que acontece com os corais quando eles são expostos a concentrações elevadas de nitrogênio e fósforo, nós temos que fazer uma clara distinção entre os efeitos fisiológicos primários e os efeitos ecológicos secundários.

Ao estudar eutrofização, muitos estudos tem elevado a concentração de nitrogênio até 20 µmol L-1 (equivalente a 1.24 mg L-1 de nitrato). Para o fósforo, essa elevação frequentemente significa uma concentração de 2-3 µmol L-1 (ou até 0.28 mg L-1 de ortofosfato). Esse aumento na concentração de nutrientes tem sido percebidos como tendo um efeito não letal, porém inibidor de crescimento de várias espécies de corais (Marubini and Davies 1996; Ferrier-Pagès et al. 2000; Tanaka et al. 2007; Hylkema et al. 2014), o que é causado por mudanças na sua fisiologia. Inúmeras teorias existem para ajudar a explicar o porquê da eutrofização ter um efeito negativo no crescimento dos corais. Elas incluem envenenamento por cristais, onde cristais de polifosfato afetam negativamente o crescimento do coral inibindo a formação do esqueleto (Dunn et al. 2012), aumento da competição entre corais e zooxantelas por bicarbonato e CO2 (Allemand et al. 2004), e liberação diminuída de fotossintatos para os corais pelas zooxantelas (Falkowski et al. 1993; Stambler 2011). A teoria da competição entre corais e zooxantelas por bicarbonato e CO2 é plausível, já que a densidade das zooxantelas aumenta em concentrações elevadas de nutrientes, requerendo mais substrato para fotossíntese (Muscatine et al. 1989; Dubinsky et al. 1990; Stambler et al. 1991; Falkowski et al. 1993; Marubini and Davies 1996; Titlyanov et al. 2000). Além disso, a suplementação de bicarbonato previne que o crescimento do coral seja afetado negativamente pela eutrofização (Marubini and Thake 1999).

Não é o ambiente mais ideal que alguém poderia pensar; um aquário cheio de fosfato (cerca de 2 mg L[SUP]-1[/SUP]) e Aiptasia. Mesmo assim, esses corais cresciam bem, embora a falta de circulação tenha causado algum dano nas partes centrais das colônias (imagem: T. Wijgerde).
Não é o ambiente mais ideal que alguém poderia pensar; um aquário cheio de fosfato (cerca de 2 mg L[SUP]-1[/SUP]) e Aiptasia. Mesmo assim, esses corais cresciam bem, embora a falta de circulação tenha causado algum dano nas partes centrais das colônias (imagem: T. Wijgerde).

Após os efeitos fisiológicos diretos, os efeitos ecológicos secundários da eutrofização incluem predominância do crescimento de algas sobre corais, aumento da sedimentação e diminuição da disponibilidade de luz devido ao afloramento de plâncton, e mortalidade da fauna devido a diminuição de oxigênio (Guzmán et al. 1990; Fabricius et al. 2005; Mumby and Steneck 2008; Bauman et al. 2010). Quando herbívoros estão presentes em número suficiente, e uma filtragem adequada é usada, níveis elevados de N e P não são necessariamente prejudiciais, como muitos aquaristas tem percebido. Embora seja verdade que níveis elevados de nitrato e fosfato podem afetar negativamente o crescimento dos corais, mudar a sua coloração e aumentar o crescimento de algas e cianobactérias, eles não parecem diretamente causar a morte de corais.

 

 

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