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Museu Oceanográfico de Mônaco – Entrevista com Jean M. Jaubert

Museu de Mônaco
Mr. Jean M. Jaubert é uma celebridade no aquarismo marinho, tendo inclusive dado seu nome a um sistema de filtragem biológica que até hoje é utilizado em muitos aquários ao redor do mundo, inclusive no Museu Oceanográfico de Mônaco, do qual foi diretor por 3 anos. Veja aqui como, por acaso (destino?), o ReefClub acabou estabelecendo um relacionamento especial com esta celebridade.

Sr. Jaubert em frente ao museu
Sr. Jaubert em frente ao museu

Por uma feliz coincidência, ao participar da MACNA 2014 em Denver, Colorado, encontrei-me com ele ao jantar no restaurante do hotel. Tivemos uma conversa interessante, onde mais ouvi que falei (e quando falei foi para fazer perguntas). Ao final, ele me deu seu cartão de visitas e me disse que, se tivesse a oportunidade de passar por Nice um dia, deveria lhe visitar. Bem, algumas semanas atrás fui visitar minha filha que mora em Paris, assim antes da viagem eu lhe enviei um e-mail (e por segurança pedi à minha filha para ligar) combinando uma visita; ele respondeu sugerindo o sábado para almoçarmos no restaurante do Museu e disse que me mostraria os aquários que montou. Assim aconteceu, e segue aqui o relato desta visita.

Mr. Jaubert

Sr. Jaubert
Sr. Jaubert

Biografia de Jean M. Jaubert (do site THE JAUBERT MICROCEAN® SYSTEM)

Professor de biologia marinha na Universidade de Nice até 2002, Jean Jaubert dirigiu o Centro Oceanográfico Europeu (Conselho da Europa, Centro Científico de Monaco) por 12 anos (1990 a 2001). Em seguida, ele ocupou sucessivamente os seguintes cargos: cientista-chefe e líder da expedição da Sociedade Cousteau (2002 – 2004) e Diretor do Museu Oceanográfico do Mônaco (2004 – 2007). Em 2004, ele foi o líder da expedição, durante o qual um filme dedicado à memória de Jacques Cousteau, “Silent World Revisited”, foi filmado.​

Durante sua atividade no Centro Oceanográfico, onde fazia pesquisas com corais, ele descobriu, quase acidentalmente, a função das bactérias denitrificantes em ambiente hipóxico (com baixos níveis de oxigênio). Ele fazia pesquisas com corais, dos quais se sabia muito pouco à época. Desenvolveu domos de plástico, que chamou de respirometers) com os quais cobria colonias de corais no mar, para isolar um volume de água ao redor do coral e medir o comportamento de vários parâmetros (oxigenação e consumo de nutrientes entre outros). Usando método científico, com introdução controlada de nutrientes naquele volume de água, e com medição de amostras coletadas em intervalos determinados, ele coletou dados para suas análises. Um dos fenômenos que constatou foi a redução gradativa do nitrato, independente do coral que estivesse dentro do domo. Analisando o fenômeno, e baseado em outros relatos sobre bactérias anaeróbicas, ele formulou a hipótese que o nitrato estivesse sendo processado pelo substrato. Mais tarde, em casa, onde mantinha um aquário com corais e resultados sofríveis (não duravam muito, e o sistema acumulava nitrato), ele experimentou desconectar a coluna do filtro biológico de fundo (FBF) que era usado em aquários marinhos na época. Após alguns meses, notou a melhora significativa na saúde dos corais e na qualidade da água, com redução das algas. Estudou mais a fundo o processo, e acabou patenteando um sistema, que chamou de MICROCÉAN®.

Imagem e legenda do livro "Guide to the Oceanographic Museum Monaco"
Imagem e legenda do livro “Guide to the Oceanographic Museum Monaco”

Closed system aquarium (MICROCÉAN® process): Corals are very sensitive to high nitrate levels in sea water. They will only live successfully in aquaria with water of an exceptional quality, obtained thanks to original and efficent biological filtration systems. Organic wastes, like decayed plant material or fish excretory products, break down into nitrates (NO3) in several stages under teh action of aerobic bacteria. in turn, these nitrates are transformed by anaerobic bacteria into innocuous gaseous nitrogen (N2) and oxygen (O2).

Fatos relevantes sobre Jean Jaubert

Fatos relevantes, pinçados em documentos publicados por Jean Jaubert e também de nossa conversas em Denver, na MACNA 2014, e em Mônaco, durante a vista ao Museu:

  • Aos sete anos de idade (em 1948, portanto ele tem hoje 74 anos) ganhou seu primeiro aquário de água doce, com estrutura de ferro zincado, vidros fixados com massa de vidraceiro (também passei por esta fase), substrato de húmus coberto de areia de quartzo, plantas e peixes
  • No mesmo ano assistiu o filme de Jacques Cousteau, Par dix-huit mètres de fond (A 18 Metros de Profundidade), que o marcou profundamente, e começou a praticar snorkel.
  • O fascínio pelo mundo submarino o levou a montar um aquário marinho usando o mesmo esquema do anterior, de água doce, o que foi um desastre. Apenas quando teve a oportunidade de montar um aquário marinho só de vidro, em uma única peça, é que conseguiu manter com sucesso algumas colônias de coral Cladocora caespitosa, Caulerpa prolifera e alguns animais.
  • Ao comentar o sucesso de seu aquário marinho com René Coutant, que foi um dos pioneiros na fabricação e montagem destes aquários na França, ressaltou que não utilizava nenhum tipo de filtro. René Coutant usava filtros de lâ-de-vidro, areia calcárea e carvão ativado, mas lhe mostrou, em um livro que havia publicado em 1958, um trecho que dizia: “Filtration, an important topic that will cause much ink to flow, is not indispensable in a well balanced tank.” (filtragem, um tópico importante que ainda vai dar muito o que falar, não é indispensável em um tanque equilibrado). Sem o saber, ele estava praticando o mesmo tipo de aquarismo propagado por Lee Chin Eng, na Indonésia, o que só veio a descobrir décadas depois.
  • Em 1973, a convite de Jacques Cousteau (que soube de seu sucesso em manter aquários de corais na Universidade de Nice), montou um aquário de 1.500 litros no Museu Oceanográfico de Mônaco, com corais e rochas que foi buscar em Eilat, Israel. Trouxeram de lá cerca de 50 colônias de 15 tipos diferentes de corais.
  • Cometeu o erro de montar o sistema com filtro biológico de fundo (FBF). A iluminação com lâmpadas fluorescentes VHO daylight e o chiller DIY (que outro jeito, não é mesmo?) até que davam conta de sua parte, mas após um ano de relativo sucesso apenas com corais, resolveram introduzir peixes e, seis meses depois, o aquário estava cheio de algas filamentosas. O mesmo ocorreu nos aquários da Universidade de Nice.
  • A eutrofização ocorrida nos aquários do Museu e da Universidade o levaram à conclusão que o acúmulo de nitrato era o vilão da história. Ele não conhecia o trabalho de Peter Wilkens, que estava desenvolvendo na época o método Berlin. Se tivesse conhecido, talvez teria solucionado o problema e hoje não teríamos o método Jaubert…
  • Em 1977 ele começou um trabalho de campo, estudando os corais mais a fundo. Foi quando desenvolveu o tal do respirometer, entre outros aparelhos para medir o metabolismo dos corais. Em 1979 ele chegou à conclusão que o substrato era o ‘buraco negro’ onde o nitrato sumia. Estudando a literatura disponível, ele entendeu finalmente que bactérias heterotróficas denitrificantes, em colônias estabelecidas em zonas hipóxicas e anóxicas do substrato, eram as responsáveis pelo fenômeno. Na ausência quase total de oxigênio, elas o retiram do nitrato, liberando o nitrogênio molecular (N2).
  • Retornando a Nice, ele reproduziu a camada hipóxica pela simples desconexão do tubo do filtro biológico de fundo em um dos aquários onde mantinha alguns corais. Entretanto, para manter a oxigenação e movimentação da água, ele manteve a pedra porosa dentro do tubo, apenas afastando a extremidade inferior do tubo do substrato (ver figura abaixo).
Primeiro experimento de Jaubert
Primeiro experimento de Jaubert
  • Ao manter a coluna de bolhas, ele acabou de fato montando um mini-skimmer, pois a maior parte da agua subindo pelo tubo era proveniente do próprio display (setas escuras), com uma pequena fração sendo sugada através do substrato. Ele concluiu, a posteriori, que este mini-skimmer talvez tenha tido uma contribuição importante no funcionamento do sistema, ao remover matéria orgânica que poderia ter deixado a água amarelada, algo que nunca ocorreu em seus sistemas.
  • Em oito meses os resultados começaram a aparecer. Corais que apenas sobreviviam começaram a crescer, e medições com espectrômetro confirmaram a redução do nitrato de 70mg/L para praticamente zero (uma taxa de remoção calculada em 0,2mg por dia).
  • Para repetir este experimento, ele desmontou um tanque de 2.000 litros e o refez totalmente, usando areia e rochas vivas, além de peixes e corais, tudo coletado no Mar Vermelho. Os resultados foram excelentes, mas o tanque levou mais de 2 anos para maturar e estabilizar.
  • Ao longo de 8 anos Jaubert aperfeiçoou o sistema, em paralelo às suas ocupações principais como lider do time de pesquisadores na universidade, aulas e trabalhos de campo no Mar Vermelho e na Polinésia Francesa, no Pacífico.
Schema MICROCEAN
Schema MICROCEAN – BEST: BIO-ECO SCIENCES & TECHNOLOGIES
  • Em 1988 ele mostrou o sistema no Second International Aquarium Congress, sendo elogiado por Jacques Cousteau no discurso de abertura. Em consequência de sua apresentação, recebeu várias visitas em Nice para conhecer o aquário (até então ele não tinha recebido ainda nenhum reconhecimento mais significativo na própria França).
  • Em 1989 o novo diretor do Museu Oceanográfico de Mônaco, Professor François Daumenge, pediu-lhe para projetar e montar um aquário de 40.000 litros usando seu novo método. Ao longo de 2 meses, com um embarque por semana, ele conseguiu trazer de Djibouti a quantidade de corais e rochas vivas para este empreendimento. Ele também montou um tanque de aclimatação de 12.000 litros, que posteriomente se tornou a semente de uma fazenda de corais no Museu.(Djibouti foi escolhido por ser uma antiga possessão francesa com um vôo direto semanal para Nice. Em 12 horas os corais coletados estavam no Museu).
  • Este aquário de 40.000 litros foi mantido inicialmente como um sistema fechado, mas um acidente com reposição de água doce, 6 meses após montado, levou à decisão de operá-lo em modo semi-fechado (ou semi-aberto), com trocas diárias de 5%, mantido assim até hoje, 25 anos depois de iniciado.
Aquário com sistema Jauber
Aquário com sistema Jauber
  • Em 1990, por recomendação do Príncipe Rainer de Mônaco, Jaubert fundou o European Oceanographic Center, dedicado ao estudo de corais, que funciona dentro do Museu, e é parte de uma rede de centros de pesquisa chamada European Council. Este centro conduz pesquisas com recifes de corais usando os aquários do Museu como base, após ter sido comprovado que os parâmetros básicos condizem com as condições na natureza. Entre outros fenômenos, foram estudadas as consequências do aumento dos níveis de CO2 na atmosfera (e a resultante acidificação da águas dos oceanos) no metabolismo dos recifes de corais.
  • Jaubert mudou-se para Mônaco em 1994, para assumir a direção em tempo integral do European Oceanographic Center, e por esta razão teve que desmontar seu aquário onde iniciou os testes do seu método. Este aquário rodou de forma estável por 15 anos usando o método Jaubert.
  • Jaubert participou de uma expedição que estudou os efeitos do El Niño de 1998, cujos resultados foram publicados neste documento em 2001.
  • Com a morte de Peter Blake, famoso velejador neo-zelandês detentor de vários títulos em regatas de volta ao mundo, e que ocupava desde 1997 a posição de chefe de expedições na Cousteau Society, Jaubert foi empossado no cargo de chief scientist and expedition leader em 2002, posição que manteve até 2004.
  • Como nota triste, Peter Blake foi morto por piratas em dezembro de 2001 na foz do Rio Amazonas, quando aguardava liberação aduaneira fundeado ao largo de Macapá. Retornava de uma expedição ao Rio Amazonas, monitorando efeitos do aquecimento global para a ONU.
  • Jaubert liderou uma expedição que refez, em 2004, o roteiro do primeiro filme de Jacques Cousteau, The Silent World, e gravou o documentário The Silent World Revisited. (O original de Cousteau ganhou o Academy Award for Best Documentary Feature, em 1956).
  • Em 2004, quando a posição de diretor do Museu Oceanográfico de Mônaco ficou vaga com a saída de Michèle Dufrenne, Jaubert se candidatou ao cargo e foi imediatamente aceito. Sobre este episódio, ele conta uma história interessante: ele demorou a se decidir, e na última hora resolveu enviar seu CV pela internet. Ligou, em seguida, para o Príncipe Rainier, que tinha uma agenda muito cheia, pois era a semana do Grande Prêmio de Mônaco, e a secretária anotou o recado. Meia hora depois ele recebeu um telefonema do próprio Rainier confirmando que ele seria aceito na função.
    Detalhe - Placas de diretores do museu
    Detalhe – Placas de diretores do museu – Notem o nome dele na placa com a relação dos diretores do Museu; após sua saída em 2007, foi unificada a posição de diretor do museu com a do diretor geral do Instituto Oceanográfico.​
  • Mr. Jaubert assumiu a função em meio a uma crise financeira do Museu, de modo que sua principal tarefa, durante os anos em que ficou no cargo, foi recuperar a saúde financeira e o movimento de visitantes do Museu. Quando avaliou, ao final de 2006, que as finanças já se encontravam em bom estado, e o número de visitantes por ano alcançou o patamar de 600.000, ele tentou reorientar as atividades originais do Museu, como definidas por seu fundador, Príncipe Albert I, no início do século XX. Infelizmente seu projeto foi rejeitado pelo board do Instituto Oceanográfico, que controla o Museu. Assim, ele pediu desligamento do cargo em 2007 e voltou às suas atividades de pesquisa e consultoria na instalação de grandes aquários, o que faz até hoje em sua empresa BEST.
  • Entre suas muitas outras aventuras, ele conta que mergulhou sob a calota de gelo polar e participou de experimentos de longa permanência em mergulho de profundidade.
  • Na Guerra do Golfo, quando o Iraque invadiu o Kuwait e incendiou poços de petróleo, Jaubert foi um dos primeiros especialistas chamados pelos árabes para opinar sobre os efeitos ambientais dos incêndios.

Resumo visual do método Jaubert

A imagem abaixo mostra todos os processos que ocorrem no substrato, quando montado segundo o processo que Jaubert pesquisou e é empregado até hoje nos aquários de recifes de corais do Museu:​

Filtragem Biologica
Filtragem Biologica

Museu Oceanográfico de Mônaco

Museu Oceanográfico de Mônaco - visto a partor do mar
Museu Oceanográfico de Mônaco – visto a partor do mar

Príncipe Albert I de Mônaco (13/11/1848-26/06/1922) dedicou boa parte de sua vida à oceanografia. Por 12 anos ele fez viagens exploratórias no Mediterrâneo e no Atlântico, coletando informações, objetos e experiências com tudo o que envolve os oceanos, tanto acima como abaixo da linha d’água. Após estes 12 anos, tendo coletado um grande acervo, indo de esqueletos de baleia a exemplares de vida marinha conservados em formol, ele resolveu expor sua coleção na Feira Mundial de Paris em 1889 (aquela que teve a Torre Eiffel construída como portal de entrada, e acabou se tornando o ícone da cidade). A repercussão obtida levou-o à decisão de construir um museu na cidade de Mônaco para disponibilizar a coleção ao público de forma definitiva, e instalar um laboratório de biologia marinha no Principado. O projeto foi concebido em 1898, a pedra fundamental lançada em 1899 e o Museu inaugurado em 29 de março de 1910.

Museu_Monaco - Esboço
Museu_Monaco – Esboço
Le Temple de la Mer
Le Temple de la Mer

A planta original do Museu, retirada de um livro comemorativo do centenário em 2010, mostrava um plano de utilização um pouco diferente do atual:

Planta original do museu
Planta original do museu

A planta atual está disponível em um folheto em formato PDF, que pode ser baixado do site do Museu:

Folheto / Planta do Museu para visitantes
Folheto / Planta do Museu para visitantes

Ao entrar no Museu, no piso 0, subindo as escadarias para o hall de entrada (1), o visitante depara-se com o Salão de Honra (2) mostrando uma estátua do fundador, Príncipe Albert I, tendo à sua direita um salão de conferências (3) e à esquerda um espaço destinado a esposições diversas (4), a lojinha do Museu (5) e a saída. Subindo as escadas para o primeiro piso, o espaço central (2) é o Salão Oceanomania, dedicado a mostras diversas, tendo à esquerda a Sala Albert I (1) e à direita a Sala da Baleia (3), ambos espaços dedicados à coleção do fundador, e que deu origem ao Museu. Neste piso, na Sala Albert I, encontra-se, por exemplo, todo o laboratório originalmente instalado no barco Hirondelle II e que foi transferido para o Museu quando o barco foi desativado.

Maquete do laboratório
Maquete do laboratório

Entre os muitos objetos do barco, uma curiosidade são as pipas usadas para pesquisa meteorológicas (Mr. Jaubert me disse que o Príncipe Albert I usava uma pipa para fazer fotos aéreas, mas nem consigo imaginar como!).

Pipa usada para fotos aéreas
Pipa usada para fotos aéreas

O terraço abriga um restaurante, um espaço para crianças e um amplo espaço com lunetas, de onde se pode avistar praticamente toda a cidade de Monte Carlo.

Vista da cidade de mônaco
Vista da cidade de mônaco

Descendo para o primeiro subsolo, em um piso intermediário (-1) com apenas a parte central aberta para o público, o visitante depara-se com uma vista da parte superior (View 1 na imagem a seguir) de um recife de corais. Trata-se na verdade do topo do Shark Lagoon, de 450 mil litros, que ocupa dois andares do Museu.

Esquema do tanque de tuburaões
Esquema do tanque de tuburaões

Descendo mais um lance de escadas, estamos no segundo subsolo (-2), onde a primeira imagem impactante é a da parte inferior do Shark Lagoon (Views 2, 3 e 4). A foto abaixo corresponde ao View 2.

Tanque de tubarões
Tanque de tubarões

Agora sim, o visitante aquarista está em seu ambiente. A ala esquerda é dedicada aos mares temperados (Mediterrâneo e Atlântico), e a ala direita aos mares tropicais, onde estão instalados os aquários mantidos com o método Jaubert.

Embora tenham sido mantidos aquários no Museu desde 1902, mesmo antes de sua inauguração, os primeiros aquários de recifes de coral só foram instalados em em 1989, com a colaboração do Professor Jean Jaubert, que à época estava ligado à Universidade de Nice. O primeiro sistema a utilizar o método Jaubert foi um aquário de 40.000 litros, que funciona até hoje sem interrupção, portanto já com 26 anos de montado.

Aquário de 40.000 litros com sistema Jaubert
Aquário de 40.000 litros com sistema Jaubert

O esquema de circulação de água nos aquários de recifes de corais é semi-aberto: água é coletada a 55m de profundidade à frente do Museu, é tratada (esterilizada e equalizada) e em seguida é adicionada ao circuito num ritmo de 5% diários. O descarte, após tratamento, é retornado ao Mediterrâneo. Os aquários temperados são fechados, com trocas parciais conforme a necessidade.

Aquário de Mônaco - Circuito para troca de água
Aquário de Mônaco – Circuito para troca de água

A bomba 1 puxa água do captador 2 a 55 metros de profundidade; o tanque 3 de sedimentação faz um armazenamento temporário, de onde é bombeada para a torre 4, que alimenta por gravidade todos os aquários e laboratórios. O consumo diário de água é de cerca de 400 mil litros.

O objetivo deste artigo foi apresentar o trabalho de Jean M. Jaubert, seu envolvimento com o Museu Oceanográfico de Mônaco e como seu método foi ali utilizado na montagem dos aquários de recifes de corais. Não me detive em documentar fotograficamente como gostaria (ou deveria) os diversos aquários que vi no Museu, pois o foco da visita foi entrevistar Mr. Jaubert.

Durante a pesquisa e organização do material para a produção deste artigo nestes últimos dias fui obrigado a me informar sobre a vida e obra de Jacques-Yves Cousteau, sua esposa e filhos, a Fundação Costeau nos EUA e sua equivalente, Équipe Cousteau na França, as dissidências familiares e outras histórias muito interessantes, inclusive o capítulo triste sobre Peter Blake, que após ter vencido regatas de volta ao mundo, foi morrer no Brasil por ação de piratas na foz do Amazonas. Quase me perco no roteiro, mas consegui fechar a tempo de publicar, e guardo o material para outros artigos no futuro.

Sobre Walmyr Buzatto

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2 comments

  1. Excelente artigo, muito bem estruturado. Parabéns.

  2. O artigo retrata bem como se deu inicio a criação de corais e mostra como é recente e quanto pode evoluir o aquário marinho.

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